Mochilão em Paris

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Tour Eiffel

      Parece que o fato de, neste mês, fazer um ano da minha primeira viagem intercontinental me inspirou a escrever sobre as coisas que aconteceram no que eu carinhosamente apelidei de Eurotrip. Vou pular algumas etapas da viagem, e ir logo para o momento em que dei um último abraço no meu namorado na rodoviária de Hamburgo (segurando o choro na garganta) e dei o primeiro passo da minha aventura. Realmente uma aventura: pegar um ônibus que passaria pelas fronteiras de 4 países para encontrar uma pessoa que eu nunca havia visto e que deveria ser minha companheira de viagem pelos próximos 20 dias.
      Dei o primeiro passo sem olhar para trás e entreguei meu passaporte para o motorista do ônibus. “Brasileira, falas Português?”. Arregalei os olhos e fiz que sim com a cabeça, quando o motorista português encheu o peito pra dizer “Eu também. O genuíno!”. Esbocei um sorriso e entrei. Para minha surpresa, apesar de ter pagado apenas 12 euros por uma viagem longa até Paris, o ônibus era muito confortável. Realmente uma surpresa para quem estava acostumada ao Unesul do trajeto Erechim-Caxias, cujo perfume era uma mistura de pó, xixi e produto de limpeza sabor morango. Fiz essa viagem quando a Europa estava enlouquecida, após o atentado terrorista em Paris. Em uma viagem de 13 horas, fomos parados pela polícia três vezes e todos os (cinco – sim, só cinco) passageiros tiveram que mostrar os documentos. Enquanto isso o português tentava falar comigo na nossa língua, mas eu simplesmente não entendia o que ele estava falando e acabávamos voltando a falar em inglês. Isso foi impressionante para mim, foi meu primeiro contato com um português e eu o entendi menos que a qualquer argentino ou chileno que tenha falando em espanhol comigo antes (Yo no hablo Español).
        Cheguei a Paris. Me assustei com a simplicidade da rodoviária e fiquei me perguntando se eu estava no lugar certo. Estava, porque depois de um tempo encontrei a menina de Recife com quem iria fazer o mochilão. Saímos da rodoviária e pegamos o metrô até a casa do nosso anfitrião. Foi a minha primeira experiência como surfer pelo couchsurfing e não poderia ter sido melhor! Jean-Cyril nos recebeu em seu pequeno apartamento, quase ao lado da Champs-Élysées, repleto de pequenas lembranças que surfers do mundo todo trouxeram em forma de agradecimento pela hospedagem. Acostumado com a rotina de turistas na sua casa, Jean-Cyril prontamente já abriu um mapa de Paris sobre a mesa de centro e nos explicou aonde ir e o que poderíamos fazer.


Arc de Triomphe

Não lembro exatamente a ordem cronológica das coisas, então vou só resumir os acontecimentos... Nossa primeira parada foi... No McDonalds. Minha companheira precisava comer. Eu quase chorei. Passamos pelo Arc de Triomphe e fomos caminhando em direção à Tour Eiffel. Essa é uma experiência que eu recomendo muito. Caminhar pelos lugares. Só caminhando você percebe pequenos detalhes e absorve a arquitetura e o ar do lugar. E só assim você percebe a proporção das coisas. Quando avistei a torre pela primeira vez atrás dos prédios ela parecia tão pequeninha, mas ao ir chegando cada vez mais perto percebi como ela é enorme e imponente. Quando cheguei perto da torre foi que a ficha caiu: esse negócio é famoso no mundo inteiro... Quantas pessoas não sonham em conhecer este lugar? Eu atravessei o oceano, coloquei uma mochila nas costas e estou aqui agora.

Eu e minha mochila companheira!



      À noite, pegamos o metrô e fomos a um encontro de couchsurfers chamado “Dutch Pancake night”, organizado por um holandês, com panquecas, música ao vivo e pessoas do mundo todo. Conheci até dois irmãos de Madagascar! Quando um cara começou a cantar uma música Russa de guerra, decidimos que era hora de ir para casa! :D



      No dia seguinte fizemos um tour guiado por alguns pontos da área central da cidade. Esta é uma atividade que mochileiros geralmente fogem, mas achei muito interessante ouvir as coisas que só quem realmente conhece a cidade e estuda sua história sabe.




      Terminamos o tour na Cathédrale Notre-Dame. Fiquei de boca aberta ao entrar na catedral. Aproveitei o silêncio e acendi uma vela em homenagem à minha avó. Eu não sou uma pessoa religiosa, sou ateísta, mas fiz minha avó sorrir ao dizer que acendi uma vela por ela em uma das catedrais mais famosas do mundo.






      Por sorte, um dia saltamos do metrô em frente a um mercado de pulgas, cheio de antiguidades. Apesar do orçamento apertado, consegui comprar dois exemplares de livros antiquíssimos, anteriores à revolução francesa (um deles de 1784).
      Também visitei a basilique du Sacré-Cœur, onde fui “atacada” por um refugiado africano que dizia “Hakuna matata”, agarrou meu braço e começou a trançar uma pulseira. No início fiquei assustada, depois tive que sorrir porque ele era muito talentoso e dizia coisas boas. Fiquei agradecida e triste por não pagar mais que 3 euros pelo presente.



      Como experiências gastronômicas, comi um crêpe delicioso e um sanduíche de baguette com uma mostarda tão forte que me fez chorar. De verdade. Mas, neste quesito, a experiência mais marcante foi a discussão que tive com meu anfitrião. Quis lhe cozinhar uma tapioca recheada com lingüiça, e lhe expliquei que eu queria remover a pele da linguiça para cozinhar. Ele disse algo como “You will not remove the skin of my sausage!!!” Levei um bom tempo até convencê-lo a me deixar fazer a receita e, no fim, descobri que poderíamos ter comprado a carne da linguiça avulsa. Desculpa pela infâmia, Jean-Cyril! Se nós brasileiros soubéssemos cozinhar como os franceses, também teríamos essa carne à venda no mercado em vez de destroçar liguiças! Haha!




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