Outono. Jena, Alemanha.

Eae galerass?

Então, faz exatamente 12 dias que cheguei na Alemanha. Agora que a mudança está organizada, coisas que faltavam em casa estão compradas e a saudade do Nico devidamente asfixiada, degolada e decapitada (é estranho né? O Nico sentiu a mesma coisa quando eu expliquei pra ele que usamos a expressão "matar a saudade" em português, ficou horrorizado! eurhue), vim mandar notícias por aqui :)

Rua fofinha perto de casa <3
Por mais que eu não tenha um trabalho ainda, tenho feito bastante coisa. Todos os dias saio de casa, dou uma volta na parte velha da cidade ou aqui perto de casa mesmo - falta ir dar umas voltas nas trilhas nas montanhas que são bem pertinho daqui também, mas o tempo não tem colaborado (bem-vinda à Europa, miga). Moro no topo de um baita morro, mas de tanto subir e descer ele, já não sinto mais que estou morrendo quando chego em casa. Ontem eu pendurei os quadros, mapas, pôsteres e coisas todas nas paredes e agora acho que já está quase tudo como eu planejava... Só falta uma cortina para a banheira - não aguento mais tomar banho sentada pra não molhar todo o banheiro hueheuhe.

É a primeira vez que eu vejo o outono aqui. As duas vezes que vim pra Europa era inverno, então quando cheguei todas as árvores caducifólias já estavam peladinhas :D Agora tenho a oportunidade de ver todas as cores vibrantes do outono - cores que nunca tinha visto no Brasil... Comprei um quadro de cortiça pra colocar em frente à minha escrivaninha e já pendurei nele várias folhas que fui coletando nas caminhadas - super vermelhas, super amarelas, super rosas (na verdade agora que elas estão secando, estão ficando todas marrons :/ )...

Não tenho muitas novidades... As traduções das certidões pro visto estão prontas, segunda-feira vou me registrar na prefeitura e depois disso tenho que agendar um horário no ministério dos estrangeiros pra conseguir o visto; terça-feira vou fazer o nivelamento de alemão pra ver em que nível vou começar o curso no centro de línguas da universidade; e estou procurando trabalhos voluntários pra fazer, só não encontrei nada ainda...

Mas o que realmente me fez sentar hoje pra escrever, na verdade, foi uma daquelas memórias do Facebook, sabem? Há exatamente três anos eu estava em Florianópolis com o Laboratório de Biomonitoramento da URI para um simpósio/congresso/whatever de limnologia (fui de intrusa euheu). Sei que não faz taaaaanto tempo, mas tanta coisa mudou de lá pra cá que parece outra vida! Lembro como se fosse ontem: eu estava na pousada, sentada/deitada no chão como sempre. A Wane estava lá e, apesar de não nos conhecermos muito na época, ficamos conversando sobre ir viajar. Até então o mais longe que eu havia ido era a Argentina e o único voo de avião tinha sido pra Belo Horizonte. Ambas as vezes apenas para ir a congressos. Eu já estava na metade do mestrado, e já estava começando a desanimar, porque eu não tinha vida fora da universidade. I mean, eu REALMENTE não tinha vida fora da universidade...

6 de outubro de 2014, em Florianópolis
Aquela conversa sobre viagens, sobre a prima dela que morava fora e viajava um monte, foram como uma sementinha plantada na minha mente. Eu sempre tive "viajar" como sendo um "sonho", mas a partir daquele momento, viajar passou a ser um "plano". Eu comecei a pesquisar MUITO. Ver experiências de outras pessoas, do mundo todo. Vídeos e mais vídeos, posts e mais posts. Tudo o que eu ouvi e li me inspirou muito e me deram coragem pra parar de sonhar e começar a planejar, agir pra alcançar meus sonhos. Poucos meses depois eu já estava com as passagens compradas pra embarcar na minha primeira viagem de verdade. A primeira viagem que eu fui "só pra viajar" - e não era qualquer viagenzinha, não! Era um fucking mochilão pela Europa! E apenas três anos depois, vim morar em outro país, em outro continente!

Se tem alguma coisa que eu posso falar pra vocês e que eu seja prova viva disse é: nada é impossível. Não podemos pensar que nosso sonho é impossível porque depende de um dinheiro que não temos.. Se você realmente quer aquela coisa e pensar nela todos os dias, planejar cada centavo, vai ver que é possível. Pra fazer minha primeira viagem eu vendi absolutamente tudo o que eu tinha: moto, instrumentos musicais, câmera. E depois disso, economizei cada centavo. Quantas vezes recusei convites de amigos dizendo "não posso, não tenho dinheiro". Passei dois anos sem comprar roupas, livros, nem nada que eu tivesse vontade. Infelizmente passei fome também em alguns momentos. Mas tudo valeu à pena e eu faria tudo de novo!

Enfim, algum dia eu escrevo mais sobre tudo isso... Só não quis deixar passar em branco a data que realmente foi o primeiro passo pra maior mudança da minha vida :)

Conta aí embaixo qual foi a melhor viagem da tua vida e pra onde você gostaria de ir, ou se você já teve algum momento como esse que eu tive em Floripa (sério, comenta mesmo. Acabei de abrir meu coração, abre o teu aí também - e eu não tenho nada pra fazer, vamo conversaaaaa)