Primeiro encontro em Veneza

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Vinho barato - Venezia. 18 de novembro de 2015
Oi todo mundo!

Hoje vai fazer um ano que embarquei na minha primeiríssima viagem intercontinental. Escrevi muito antes de ir, por causa da expectativa, mas não postei mais nada no blog desde então. Acho justo fazer um post comemorativo e começar a contar aos pouquinhos sobre minhas aventuras lá “do outro lado”. Nem sei por onde começar...
Talvez seja melhor começar pelo começo! Bom, eu estava cursando o último ano do mestrado e sonhava em fazer o doutorado fora do Brasil. Como eu tenho familiares morando na Inglaterra, achei que seria uma boa ideia fazer o doutorado por lá... Então comprei a passagem para ficar três meses procurando uma universidade. Porém, alguns meses antes de embarcar, fiz a prova de proficiência de inglês e não atingi o mínimo necessário para entrar em um programa de doutorado na Inglaterra. Algo que era previsível, já que nunca frequentei uma escola de idiomas e aprendi tudo sozinha (com música, jogos, séries e artigos). Eu já tinha as passagens compradas, então resolvi fazer algo “útil” no tempo que eu iria passar na Europa e resolvi fazer um mochilão. Vendi absolutamente tudo o que eu tinha (sacrifiquei minha moto, algo que eu amava muito) para viver essa aventura. Fiz um roteiro para um mês de mochilão e postei em um grupo chamado “Backpacking Europe”, pedindo sugestões e hospedagem nas cidades que iria passar. Os outros dois meses eu pretendia ficar hospedada em troca de serviços, pelo workaway.com.

O famigerado post.

Eu poderia ter ficado muito triste por ter fracassado na prova de inglês, mas preferi me manter positiva e aproveitar a oportunidade que o acaso me deu. E esta oportunidade acabou mudando completamente os rumos da minha vida. No dia 04 de julho, Nico comentou o meu post sugerindo que eu visitasse Innsbruck-Austria, onde ele morava, em vez de visitar Salzburg (cidade chata, segundo ele). Pedi se ele poderia me hospedar em IBK e comecei a vasculhar o seu perfil (afinal, eu não queria me hospedar na casa de nenhum psicopata) e descobri que ele cursava Biologia. Pronto. Primeira coincidência, um amor em comum. Começamos a conversar. Veio a segunda coincidência: ambos odiamos Botânica. Continuamos conversando por horas a fio até que o sol nasceu na Alemanha. No dia seguinte, continuamos conversando, encontrando mais coincidências até que passamos a desconfiar da existência de um “joking god” que estava rindo da nossa cara cada vez que nos impressionávamos com a quantidade de coisas em comum. Após duas semanas de conversas diárias de 5 horas ou mais, marcamos de fazer a primeira “wine night”. Compramos os dois uma garrafa de vinho e tomamos enquanto conversávamos. Pouco antes de o sol nascer (na Alemanha), o vinho me deu a coragem que eu precisava e confessei que estava apaixonada. Para minha sorte eu não era a única.

Nascer do sol em Hamburg - 18 de julho de 2015

Foram quatro meses desse “namoro virtual” meio estranho – porque estávamos perdidamente apaixonados por alguém que nunca havíamos encontrado pessoalmente. Então no dia 18 de novembro de 2015, pousei em Veneza. Sim, nosso primeiro encontro foi em Veneza, mas não foi proposital. Era o vôo mais barato de Londres para algum lugar próximo à Áustria. No aeroporto peguei um ônibus até um ponto próximo ao hotel que havíamos reservado. Subi para o quarto, me arrumei e fiquei na janela, de joelhos sobre uma cadeira, esperando o Nico chegar. Lá do terceiro ou quarto andar, depois de horas esperando porque o trem dele atrasou, vi uma cabecinha loira virar a esquina e desci as escadas correndo loucamente. Cena de filme! Chegando lá embaixo não o encontrei. Ele não encontrou o hotel, deu meia volta e sumiu. Com medo de nos desencontrarmos, fiquei esperando na recepção do hotel. Então vi aquele carinha confuso virar a esquina de novo e saí correndo. Essa sim foi cena de filme! Corri para abraçar meu namorado que eu nunca tinha visto e ficamos lá parados, como se o tempo tivesse congelado, no meio de uma praça em Veneza.
Mais tarde quebramos todas as regras ao comprar a garrafa de vinho mais barata, abri-la com a chave do apartamento do Nico e beber o vinho em copos de plástico. Desculpem, italianos. Por favor, não nos odeiem.

A foto mais feia que já tiramos (os dois estavam exaustos), mas é nossa primeira foto e a única que fizemos em Veneza :)



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