Ter menos pra viver mais

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Florianópolis, Brasil
Oi galeras! 

Faltam apenas 2 dias para eu mudar de cidade. Deixarei Erechim para viver provisoriamente em Caxias do Sul, minha terra natal (provisoriamente porque não faço ideia do que vou fazer depois que voltar da Europa). Vivi nesta cidade por quase 6 anos (toda a minha “vida adulta”) e neste tempo todo acumulei amizades, experiências e coisas... muitas coisas! Tenho passado os últimos dias empacotando tudo o que tenho, decidindo com o que vou ficar, o que vou doar e o que será jogado no lixo. Este exercício, por vezes exaustivo, tem me dado muito para pensar. A principal questão na minha mente neste momento é “Por que eu tenho tudo isso?”. Ainda não encontrei a resposta, por isso decidi escrever para organizar meus pensamentos e aproveitar para convidar vocês para refletirem comigo. 

Muitas das coisas que guardamos têm um significado funcional. Nós precisamos delas em tarefas corriqueiras. Se elas têm utilidade... okay, tudo bem mantê-las. Outra parte das coisas que guardamos apresenta um significado emocional. São objetos, cartas, qualquer coisa que nos remete à lembrança de alguém, algum momento ou algum lugar pelos quais temos um carinho especial. Se estas lembranças lhe causam sentimentos bons e te ajudam a lembram quem você é, qual a sua essência... okay, tudo bem mantê-las. No entanto, existe um terceiro grupo de coisas que são completamente inúteis, que você guarda simplesmente porque acha que poderá ter alguma utilidade no futuro (mas, na verdade, nunca mais irá usar). São estas coisas que têm me dado o que pensar, e aposto que, assim como eu, você tem um monte dessas coisas na sua casa. 

Essa experiência de selecionar as coisas inúteis me lembrou de uma fala* do ex-presidente do Uruguai, José Mujica (assista ao vídeo acima). Citando suas sábias palavras: 
Quando eu compro algo, ou tu, não se compra com dinheiro. Se compra com o tempo de vida que tivemos que gastar para ter esse dinheiro. Mas com essa diferença: a única coisa que não se pode comprar é a vida. A vida se gasta. E é lamentável desperdiçar a vida para perder a liberdade. 


* O vídeo faz parte do filme "Human" de Yann Arthus-Bertrand, que passou três anos coletando histórias reais de 2.000 homens e mulheres em 60 países. Assista a entrevista de Mujica completa aqui. Eu também recomendo assistir o filme (aqui).

Chego, então, a uma conclusão: sei que eu não posso recuperar toda a vida que gastei até agora para comprar coisas inúteis, mas posso economizá-la a partir de agora e somente gastá-la com coisas que realmente valham à pena. 

Um último pensamento: não precisamos de coisas para ser feliz. Nossa felicidade está nas pessoas que nos rodeiam, ou em nós mesmos, e nos momentos mais simples que vivenciamos, mas raramente notamos porque estamos demasiado preocupados em gastar a vida para comprar coisas inúteis. Posso dizer que sou muito mais feliz depois de descobrir isso, desde que comecei a vender muitas das minhas coisas (uma forma de pedir reembolso da vida que gastei, talvez?) para realizar um sonho: estou indo explorar o desconhecido, atravessar o oceano assim como fez meu grande herói Charles Darwin (só que no caminho contrário), e sinto uma liberdade indescritível no peito quando paro para pensar que este é apenas o primeiro passo, apenas a primeira aventura.


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Um comentário:

  1. Thank you for covering this, it's so true - I have not thought about it that way before. Food for thought...

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